Uma estória é uma narrativa de ficção baseada em factos puramente imaginários.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realemnte peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade

"Meto as mãos na algibeira e não encontro nada." As minhas palavras estão mesmo gastas, mas no entanto não conseguirei dizer adeus, mas ando sem tempo e imaginação para escrever... Até breve!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Com que celebridade és parecido?

Descobri um site que analisa uma foto nossa e nos diz com que celebridade é que somos parecidos. Vale a pena experimentar e usar diferentes fotos nossas e dos nossos amigos:


Bem eu descobri que sou parecida em primeiro lugar com a Uma Thurman, em segundo lugar com a Natalie Portman (agrada-me) e em terceiro lugar com a Christy Turlington.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Cansadíssima, íssima!

foto de sombra de prata

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Já se sente melhor?


"Não pense nela. - disse a rapariga -, isso cá é vulgar; quase toda a gente que aqui vem pela primeira vez é atacada por essa espécie de mal-estar. É a primeira vez que aqui vem? Então está a ver, não é nada de extraordinário. O sol aquece a armação do telhado, de modo que a madeira aquecida torna o ar assim pesado e abafado. É por essa razão que isto aqui não é o sítio mais indicado para se instalarem repartições, apesar das grandes vantagens que sob outros aspectos oferece. Mas nos dias em que vem cá muita gente, e isso é raro não acontecer, o ar mal se pode respirar. (...) Mas no fim a gente acaba por se habituar perfeitamente a este ar. Quando cá vier pela segunda ou terceira vez mal notará esta atmosfera pesada. Já se sente melhor?"

Franz Kafka em "O Processo"

Quem já não sentiu algo semelhante num qualquer lugar semelhante?
Ao ler esta passagem não pude deixar de recordar o corredor da faculdade em dias de exame...

domingo, janeiro 22, 2006

Vamos todos votar!

Constituição da República Portuguesa

Artigo 49º
(Direito de sufrágio)

1.
Têm direito de sufrágio todos os cidadãos maiores de dezoito anos, ressalvadas as incapacidades previstas na lei geral.
2. O exercío do direito de sugrágio é pessoal e constitui um dever cívico.


Hoje é dia de eleições e como tal temos o dever ( e não só o direito) de ir votar!
Como mulher, dirijo-me especialmente às mulheres para que se lembrem de outras tantas que lutaram para que hoje pudessemos expressar a nossa opinião livremente e que tal facto não deve ser descartado por nós ou trocado por uma tarde passada em frente à televisão.

Cumpram o vosso direito!

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Mundo aos quadrados

Mais um link a adicionar... Desta vez algo novo, algo hilariante, algo divertido... Bem ao estilo do Johny. Vejam por vocês mesmos algo que promete para os próximos tempos:

Ah! Eu sei que tens dificuldades em desenhar meninas, mas prometeste-me uma bonequinha para eu por no meu profile... E como dizia Rui Veloso "o prometido é devido!"

Boa sorte e continua o bom trabalho.

terça-feira, janeiro 17, 2006

1000

Querido blog,

Hoje antigimos os 1000 visitantes. Será que devemos festejar? Eu não percebo muito disto de blogosfera mas se te pudesse oferecer uma prenda comprava-te umas asas para que pudesses voar ao sabor do vento e assim conhecer outras paragens, outros ares, outros aromas e outras gentes. É triste saber que estás aí. Parado. Sem vontade própria, simplesmente dependendo do meu comando.

sábado, janeiro 14, 2006

...

Num deserto sem água,
numa noite sem lua,
numa terra nua,
por mais que seja o desespero,
nenhuma ausência é mais profunda que a tua!
Para sempre é muito tempo.
O tempo não pára!
Só saudade é que faz as coisas
pararem no tempo...

autor desconhecido

Pela segunda vez em tão pouco tempo volto ao mesmo local... Os rostos são outros e não o são. As pessoas não são as mesmas. As faces são as mesmas. O motivo é outro. A motivação é a mesma...
O triste lado da vida é aquele em que nos arrancam para todo o sempre alguém de quem gostamos...
Inevitavelmente para "lá" caminharemos. Mas para "lá"? Para onde? Não sei nem me interessa... Eu pertenço aqui, aos escombros que ainda restam aos homens, e enquanto o meu relógio não parar eu viverei!

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Snow path


Encontrei isto num caderno já esquecido. Foi-me escrito por alguém que o tempo, a distância e os preâmbulos da vida afastaram...

Your life is like a snow path in front of you.
When you walk along be careful of every step,
as every footstep from now on will show!


Espero que estejas bem...

terça-feira, janeiro 10, 2006

Espero por ti

foto de Mariza

Espero por ti
mas tu demoras...
A ansiedade possuí-me,
meto a mão por baixo da camisa de cetim
e acaricio os meus seios,
com carinho...
Imagino que bates à porta...
A minha mão é ousada
tal e qual como a tua
que demora a chegar...
Deslizo,
procuro outros prazeres...
Não vens...
Dispo-me!
Quero-me soltar,
quero sentir o teu toque,
as tuas másculas mãos
que tardam...
As minhas mãos são as tuas
os meus dedos os teus.
Percorro caminhos
que tão bem conheces
devagar,
carinhosamente...
Com loucura...
Sinto-te a chegar
Sinto-te...
Sinto-te...
Sinto-me explodir!
Adormeço,
à espera...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Pensamento do dia

"Será possível perdoar se não se consegue esquecer?"

in Sex and the City

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Esta noite...

foto de Yann Figueiredo

Esta noite queria deitar-me junto a ti
queria sentir o calor do teu peito,
o odor do teu corpo
e a tua boca na minha.
Esta noite queria dormir nua,
enrolada contigo no nosso leito
e repousando a cabeça no teu regaço.
Prometo-te que ficava assim quietinha,
a ver-te como nunca antes vi
e perdida no teu abraço.
Esta noite, queria ser tua,
tua e de mais ninguém!
Esta noite e mesmo longe de ti,
Vou dormir nos teus braços!

Inverno

Foto de Paulo Mendes

O tempo está menos quente,
E a praça tem menos gente.
O céu é cinza e frio é o vento.
Caminha-se na rua num ir lento.
Em casa já se acende o fogo
E a noitinha chega quase logo.
Às vezes chove mas outras não,
Por vezes até a lareira é em vão.
A noite é dia e a alvorada escura.
O tempo é triste, é de amargura.
Vazia de cor, preciso de alegria,
Meu amor, preciso de companhia.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quise'ssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis

Para Ricardo Reis, o prazer verdadeiro existia na ausência da dor. Este poema é tudo aquilo que não quero que interpretem com o meu anterior post. Para mim a tranquilidade e a ausência de dor nunca nos permitirá ser compeltamente felizes. (Aliás dúvido que se consiga viver tranquilamente.) Nunca me sentirei completa se não souber amar e chorar. A vida só é vivida plenamente se souber tocar nos extremos. Pois só assim conseguiremos achar o nosso meio termo.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Não te amo...

foto de Errante

Amor? O que é isso? Essa palavra que se gasta nos lábios de toda a gente, mas que por muito que se tente não se consegue definir correctamente. Não vale a pena procurar nos dicionários porque eles apenas usam outras tantas palavras desgastadas pelo tempo para definir algo que não é palpável. As palavras são frágeis e o seu uso apenas as deteriora tornando-as vazias e inócuas.
Poderia tentar explicar o amor, mas quem sou eu para o fazer? A minha percepção nunca será a mesma que a tua! Poderia então tentar definir o amor através da negação, ou seja daquilo que não é o amor. Por exemplo, podia dizer que o amor não se faz, que apenas se sente... Mas o que é que se sente? O ser humano gosta de complicar, mas é tudo muito simples, muito básico, completamente elementar: o amor não passa de um impulso elétrico que ocorre no nosso cérebro, uma reação química que satisfaz o nosso ego. O amor é uma ilusão.
Afinal não te amo!

Clichés

Eternas promessas que se faz na primeira segunda-feira do ano:

1) Deixar de fumar;

2) Ir mais vezes ao ginásio;

3) Perder aqueles quilos a mais;

4) Telefonar mais vezes aos familiares;

5) Arrumar aquela gaveta cheia de tralha;

6) Pensar duas vezes antes de falar;

7) Juntar algum dinheiro;

8) Empenhar-me mais no trabalho/nos estudos;

9) Marcar mais frequentemente jantares com os amigos, porque eles são a melhor coisa do mundo. Mas desta vez com pouco álcool porque já estou farto de gurossan.

10) Este ano é a sério. Vou cumprir com tudo!